Tsipras e Varoufakis versus a troika europeia

A Grécia elegeu um novo governo há 10 dias e que ainda tenta afinar o discurso anti-austeridade que tanto assusta os mercados e a Europa. Por mais que a coalizão de esquerda Syriza tente ter uma retórica que visa agradar o eleitor grego e desagradar o investidor europeu. As tentativas de acalmar a União Europeia com a visita do primeiro-ministro, Alexis Tsipras,a Bruxelas após uma escala em Paris e de seu ministro de finanças, Yanos Varoufakis, ter um encontro com o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi em Frankfurt não adiantaram em nada.

A notícia que o BCE não irá mais aceitar os títulos da dívida grega que estão depositados em bancos gregos pode causar mais dor de cabeça para a dupla grega. Os mercados irão pressionar Atenas para abandonar a anti-austeridade. Nem as conversas entre Tsipras com o trio Jean-Claude Juncker (presidente da comissão europeia), Donald Tusk (presidente do conselho europeu) e Martin Schulz (presidente do parlamento europeu) que teve nessa quarta-feira foram um sinal de que as negociações estão abertas, mas a Europa não aceitará uma renegociação do pacote de ajuda da troika BCE-UE-FMI.

As relações públicas gregas foram um desastre. Varoufakis deu duas entrevistas a rede de tv pública britânica BBC desde que assumiu o cargo de ministro das finanças. Ambas as entrevistas foram confusas. Amanhã, Varoufakis irá se encontrar com o seu colega alemão e crítico das recentes mudanças políticas em Atenas, Wolfang Schauble, em Berlim. A conversas entre estes dois ministros podem definir o futuro da economia europeia e arrancar a atenção dos investidores e especuladores.

Tsipras teve um encontro com o presidente francês François Hollande em Paris. O primeiro-ministro grego ouviu um puxão de orelha quando Hollande afirmou que a Grécia tem de cumprir os compromissos que assumiu para receber a ajuda monetária da troika. Mas a austeridade grega foi muito dolorosa para os gregos. O Syriza ganhou as eleições ao assumir o compromisso com o fim do cortes de gastos, reformas trabalhistas e previdenciárias, privatizações e não negociar mais com as entidades europeias.

Mas a dupla Tsipras e Varoufakis vai ter que acalmar os mercados. Uma retórica anti-capitalista dos tempos de oposição grega só reforçou a noção da falta de compromisso com a realidade econômica do país. O Syriza tenta recuperar a credibilidade grega com as palavras certas para momentos oportunos. O encontro de amanhã entre Varoufakis e Schauble pode reforçar a sensação de renúncia do discurso estatista para a ascensão de um dogma pragmático que a Grécia do Syriza terá que aceitar as duras penas.

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