As notas africanas

Na época do Apartheid na África do Sul, tinha uma música chamada Have you heard from Johannesburg, de Gil Scott-Heron. A canção que foi tema de uma série de documentários com o mesmo nome produzidos pela diretora e produtora Connie Field para rede de tv pública americana PBS. Mas a pergunta que fica para aqueles que leem jornais e revistas ou apenas acompanham o noticiário internacional pela internet, rádio e tv. Porque não temos informações sobre os fatos que ocorrem no continente africano?

Faço está pergunta porque acompanho o noticiário africano produzido por canais de notícias como a BBC World News (Reino Unido), France 24 (França) e a Al Jazeera English (Qatar). Tais emissoras tem uma vasta rede de correspondentes internacionais sediados no continente. Mas sinto falta de termos correspondentes brasileiros na região. Temos as antigas colônias do império português como Moçambique, Angola, Guiné Equatorial, Cabo Verde e afins. A imprensa brasileira poderia ter jornalistas na região.

Mas a mídia tupiniquim não contou as histórias do massacre da cidade nigeriana de Baga feito pelo grupo terrorista Boko Haram que matou mais de 2.000 pessoas ou as eleições presidenciais em Zâmbia, onde o ex-ministro da defesa Edgar Lungu foi eleito. Não temos notas sobre a corrida presidencial na Nigéria e a questão da epidemia de Ebola que assola o continente. O leitor, ouvinte, internauta e telespectador quer ter as informações no mundo todo e não apenas da Europa, Estados Unidos ou de um país asiático como China e Japão.

Com a internet, o ser humano necessita mais de notícias de qualquer canto do globo. Precisa de pessoas que entendam a política, economia, esportes e cultura de um continente tão misterioso e estereotipado com África das savanas e das tribos que servem como objeto de estudo dos antropólogos. As informações sobre a África são de vital importância desde do ativista de direitos humanos até para um investidor que precisa ter noção de como o seu dinheiro investido nestes países pode lhe trazer lucros.

Seria interessante para um país emergente como o Brasil ter uma mentalidade de informar sobre os fatos africanos. Muitas novelas brasileiras são assistidas no países africanos de língua portuguesa e além do grande interesse do continente sobre o noticiário local. Mas falta a imprensa brasileira criar uma cultura de fortalecimento da cobertura internacional. Hoje feita com poucos correspondentes. Temos que expandir isso, mas temos que dar um passo concreto para isso.

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