O fim da era da humilhação?

Há horas atrás, a comissão eleitoral grega anunciou que o Syriza pode ter de 149 a 151 assentos do parlamento (de 300 cadeiras). Tal vitória de um partido de extrema-esquerda é um feito e tanto. Tanto o líder do Syriza, Alexis Tsipras quanto o primeiro-ministro conservador Antonis Samaras foram ao público para declarar para reconhecer a decisão das urnas. O resultado deve influir negativamente nos mercados europeus amanhã. Não se sabe qual será a posição da troika União Europeia, FMI e Banco Central Europeu.

Mas será que o fim da era da humilhação prometida por Tsipras está acabando para o alívio dos gregos? A grande questão é como será feita a renegociação da dívida externa do país. O Syriza promete acabar com as medidas de austeridade. Mas isso não será um fogo de palha diante da realidade de uma Grécia que vive o pior momento econômico de sua história recente. Os cortes de gastos e as duras reformas no setor trabalhista e previdenciário traumatizaram os gregos nestes últimos anos.

Tsipras fez um discurso em frente a universidade de Atenas onde festejou o fato da população um claro e poderoso mandato para ele. Enquanto Samaras afirmou que tinha que respeitar os resultados das urnas. Neste momento, a fala de Tsipras onde critica as medidas de austeridade que sacrificaram a vida dos gregos soam como um claro aviso para Bruxelas e Berlim. O novo primeiro-ministro defende a tese que a dívida seja renegociada do mesmo modo como foi feita com a então Alemanha Ocidental em uma conferência de 1953.

Os mercados europeus estarão tensos. Não se sabe da reação do presidente da comissão europeia, o luxemburguês Jean-Claude Juncker ou da chanceler alemã Angela Merkel. O resultado das urnas helênicas mostra o vigor de uma democracia que deseja terminar com a era da humilhação com medidas populistas. Mas a principal diferença de Tsipras é não ter um plano salvador da pátria helênica como estatizações e afins. Ele quer por a casa em ordem a sua maneira esquerdista de ser.

A pergunta que fica sobre o fim da era da humilhação grega nos força fazer uma reflexão. Os anos de austeridade criaram um efeito colateral da ascensão de partidos extremistas como o próprio Syriza e o neo-nazista Aurora Dourada. Caso o Syriza não consiga maioria para governar sozinho. Ele pode formar uma coalizão com o partido centrista To Potami (o rio em grego). Isso pode ser o sinal de juízo que os líderes europeus tanto esperam deste novo primeiro-ministro e sua jornada para acabar com tais humilhações.

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