Syrizafobia

Nesse domingo, os gregos irão as urnas para escolher um novo parlamento. As pesquisas apontam que a coalizão de centro-esquerda Syriza pode vencer o pleito após dois anos de governo de união nacional entre o conservador Nova Democracia e o socialista Pasok. O resultado dessa eleição é tão temida que a chanceler alemã Angela Merkel pediu para os gregos se manterem na eurozona. Mas será que este pedido será atendido por uma população que sofreu com a crise de sua dívida desde de 2010.

O líder do Syriza, Alexis Tsipras disse em seu último comício antes da votação que tal momento encerrava uma era de humilhação para os gregos. O atual primeiro-ministro Antonis Samaras fará um discurso para a militância hoje a noite. Mas a eleição na Grécia será de fundamental importância. Mesmo com as contas públicas controladas após uma dura reforma no sistema econômico e social. Mesmo assim, a dívida grega está em 175% do pib do país. Tsipras defende uma renegociação disso.

A Alemanha de Merkel não aceita qualquer tipo de mudança em política econômica. Tanto que o Quantitative Easing (programa de estimulo econômico) lançado ontem pelo Banco Central Europeu levou muito tempo para ser aceito pelos alemães. Uma eventual renegociação da dívida grega vai ter que ser feita de forma gradual. Tsipras quer manter a Grécia na Eurozona. Mas o temor que a vitória do Syriza possa afundar ainda mais o projeto europeu defendido por garras e dentes por Merkel é muito grande.

As pesquisas de opinião apontam por uma vitória do Syriza. Mas o futuro parlamento grego pode ser muito fragmentado com a eleição de partidos nacionalistas e extremistas como o neo-nazista Aurora Dourada. Tsipras terá que negociar com estes novos atores para formar um novo governo caso não consiga uma maioria suficiente para governar sem auxilio de outros partidos. O Syriza terá que ser hábil com isso. Tanto que passou de um grupo radical para um partido moderado e com grande apoio dos gregos.

A eleição desse domingo será muito importante para o futuro do projeto europeu. O Syriza terá que vencer as desconfianças e permitir que sua tão desejada renegociação seja compreendida por Merkel e outros membros da eurozona. Este árduo trabalho terá que ser costurado as custas de esperanças e desilusões. Não sabemos se tal partido será capaz de cumprir a promessa do fim da era da humilhação. Mas os gregos querem um futuro melhor e isso não temos dúvidas.

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