A morte de Abdullah e a ascensão de Salman

Há pouco minutos, a Arábia Saudita está de luto. O rei Abdullah morreu aos 90 anos por uma infecção pulmonar consequência de uma pneumonia. O sucessor do monarca morto será o príncipe Salman, que tem 79 anos. Mas a grande dúvida é como ficará as reformas políticas e sociais feitas por Abdullah ao longo de dez anos de reinado. Por mais que permitisse o acesso das mulheres aos cargos públicos e o direito a voto. Abdullah hesitava em avançar neste campo como a permissão para que elas possam dirigir por exemplo.

A televisão estatal parou a sua transmissão de versos do corão (o livro sagrado do islamismo) em sinal de respeito e luto ao rei morto. Não se sabe como será o funeral do monarca ou como é o pensamento de Salman. A Arábia Saudita é um importante aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio além de ser o maior exportador de petróleo do mundo. Nos último anos, Abdullah tinha que conter uma insatisfação social além da queda abrupta dos preços do ouro negro com a concorrência da produção do gás de xisto nos Estados Unidos.

A Arábia Saudita tem um papel importante em um momento de mudanças no mundo árabe. Abdullah autorizou o envio de tropas para o Bahrein para conter uma onda de protestos além de mediar o acordo político entre governo e oposição no Iêmen que permitiu o exílio do ex-ditador Ali Abdullah Salleh em 2011. O país era visto com um mantenedor do status quo árabe além de conter a influência do Irã e as rusgas com as novas potências regionais como Emirados Árabes Unidos e Qatar.

O príncipe Salman terá que conter a insatisfação interna tanto de grupos liberais quanto de clérigos conservadores. Neste ano, o país vai as urnas para eleger os membros dos conselhos municipais além de ser a primeira votação onde será permitida a participação feminina tanto nas urnas quanto em cargos. Abdullah prometeu que as mulheres podem participar no principal órgão do governo, a shura, um conselho que auxilia o rei nas questões de estados e de governo com a participação de notáveis, religiosos e príncipes.

Não se sabe como será o futuro da participação da Arábia Saudita na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico ou se terá alguma mudança na política de exportação de petróleo. O novo monarca terá um longo trabalho pela frente. Mas a questão da saúde do novo rei é um assunto de estado pelo fato de Salman ter 79 anos. Abdullah morreu aos 90 e assumiu o poder em 2005 aos 80. Este tema é muito delicado e se a Arábia Saudita quer ter um futuro melhor. Eles terão que dar um voto de confiança a Salman.

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