Um mundo sem humor

Desde da semana passada, os intelectuais deste mundo de deus começaram a discutir sobre os limites do humor depois do massacre terrorista que matou 10 jornalistas do semanário satírico francês Charlie Hebdo e dois policiais. Eu não entendo como estes seres cultos e com alta inteligência insistem em controlar o incontrolável. Eles não percebem que os terroristas escondidos no deserto estão ganhando a guerra do terror com simples fato da barbárie ser a única forma de silenciar aqueles satirizam este mundo.

Não devemos temer a religião ou o terror. O humor ácido teve um papel fundamental na separação do estado e da igreja no mundo ocidental como afirmou o historiador britânico Simon Schama em um artigo publicado no Financial Times na semana passada. Mas estes intelectuais querem discutir os pontos de vista como se fosse um jogo de xadrez onde todo mundo não se entende. Mas quando a França inteira se uniu contra está censura imposta pelo terrorismo na marcha republicana de domingo passado calou fundo nossas almas.

A reflexão de um mundo sem humor é muito trágica. Os franceses não querem perder o direito de fazer piadas com as religiões, políticos, economia e afins. Mas falar no limite da sátira mostra quão complicado definir isso. A gozação é algo subjetivo e pessoal. Não adianta padronizar os nossos pensamentos como uma máquina do senso comum das ideias que não levam a nada. O planeta precisa rir de si mesmo. Como iremos tirar sarro destes intelectuais que não entende nada sobre as segundas intenções do riso.

Quando vejo um humorista como o britânico Russell Brand propondo uma revolução sem precedentes na política. Eu faço a seguinte pergunta: queremos um humorista ou líder revolucionário? Tanto que seu livro Revolution está na lista do mais vendidos no Reino Unido. Isso serviu de críticas a Brand feitas pelo ex-primeiro ministro trabalhista Tony Blair hoje na BBC Radio 4. O humor é o paraíso do sarcasmo e da ironia. Não um palco de uma revolução ou uma discussão de tia véia como fez o Luiz Felipe Pondé ontem na Folha.

Leitores deste humilde blog, o Charlie Hebdo promete mais sacanagens contra aqueles que tentaram silenciar suas voz. Tanto que a edição em homenagem aos mortos terá uma circulação de 3 milhões de exemplares além de ser traduzida em 16 idiomas. Isso nos faz pensar que o semanário não vai ficar de joelhos diante deste momento de perplexidade que o mundo sem humor vive e suas ameaças vindas de um deserto de ideias. Afinal, um planeta mal-humorado e estressado ninguém aguenta

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