Uma mulher em Zagreb

Ontem, a Croácia foi as urnas para eleger um novo presidente. Após uma apuração acirrada, a conservadora Kolinda Grabar-Kitarovic foi eleita a primeira mulher para o cargo de chefe de estado. Ela derrotou o atual mandatário Ivo Josipovic com 50.5% dos votos. “Eu não deixarei que me digam que a Croácia não pode ser prospera e rica”, disse em seu discurso da vitória diante da militância em Zagreb. Mas o desafio de Grabar-Kitarovic é assumir um país com uma taxa de desemprego na casa dos 20%.

A nova presidente quer por o país nos trilhos. Segundo a lei croata, o mandatário tem poderes apenas em questões de estado como defesa e política externa. Josipovic queria alterar a lei para que o chefe de estado tivesse mais poderes como forma de conter a crise econômica que o país vive. Mesmo ele sendo um político popular, Josipovic não conseguiu se reeleger para o cargo. Isso é um sinal de problemas para a coalizão de centro-esquerda que comanda a Croácia há seis anos.

O desejo da população por novos rumos na política local é nítido. Tanto que o primeiro-ministro Zoran Milanovic pediu desculpas a Josipovic por lhe ter queimado. A Croácia terá eleições gerais no fim deste ano. A expectativa que os conservadores vencem o pleito é muito grande dado o fato da crise econômica que assola o país. O pequeno território dos Balcãs é membro da União Europeia desde de 2013. Mas a associação tem pouco efeitos práticos na vida dos croatas sem esperança de melhora.

Neste momento, os croatas querem ter voz na União Europeia. Mas que adianta as normas e regras impostas por Bruxelas não surtirem o efeito desejado na vida de pobres cidadãos croatas. A periferia da Europa quer ter o mesmo padrão de vida que tem alemães e franceses. Este era o principal atrativo da UE para os croatas. Só que eles querem imigrar para os grandes centros europeus para ganhar dinheiro para financiar uma vida melhor para os familiares e para a economia do país.

A nova presidente irá ter que assumir a questão da política externa e ser chefe das forças armadas. Os Balcãs ainda sofre com a cicatriz da guerra civil que dividiu a antiga Iugoslávia nos anos 1990. A Croácia precisa conter seu nacionalismo ou revanchismo caso a Sérvia possa entrar na União Europeia. Kolinda terá que iniciar conversas com os sérvios para dissipar possíveis feridas e conter o nacionalismo de ambos os lados. Este será o duro trabalho que está mulher terá em Zagreb.

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