A Europolitik de Merkel

Ontem, a chanceler alemã Angela Merkel fez uma visita rápida ao Reino Unido. Em meio aos atentados contra o jornal francês Charlie Hebdo, Merkel e o primeiro-ministro britânico David Cameron condenaram o ataque. Mas tal viagem foi uma forma de negociar sobre os termos de associação que o Reino Unido pretende mudar em um acordo com a União Europeia que pode ser ratificado pela população por meio de um referendo em 2017 em caso de uma vitória do partido conservador nas eleições gerais de maio de 2015.

A rápida visita de Merkel mostra o poder da Alemanha na questão europeia. Desde que assumiu o poder em 2005, a chanceler tem mostrado uma força política nunca antes vista na história da Alemanha reunificada. A reeleição como líder dos democratas-cristãos reforça a tese que ele pode disputar as eleições gerais marcadas em 2017. Os alemães adotaram o modo da Mutti Merkel, Um mãe para aqueles que nasceram após a reunificação em 1990. Uma política tão habilidosa como Merkel não era vista desde Helmut Kohl.

Mesmo com protestos anti-islamitas feitas pelo grupo extremista Pegida. Merkel iniciou uma reação com um pronunciamento onde defendeu a Europa e os imigrantes. Desde de então, várias personalidades alemãs se engajaram em protestos e abaixo-assinados defendendo os muçulmanos e a imigração. Merkel já foi questionada em 2013 por ter dito que o multiculturalismo falhou. Mas seu discurso de fim de ano reforçou a impressão que ela quer liderar a Alemanha em uma nova Europa.

A Europolitik defendida por Merkel se mostra contra a restrição da circulação de pessoas entre os países-membros da União Europeia. Uma doutrina econômica onde o controle fiscal, corte de gastos e um amplo controle dos orçamentos nacionais sobre um órgão europeu comandado de Bruxelas. Um dogma na fé de uma Europa sem guerras e onde os direitos e deveres dos cidadãos são respeitados por membros da UE. Isso é feita a risca pela Alemanha de Angela Merkel desde de 2005.

A Europa nunca viu uma estadista tão determinada como a chanceler alemã. Ela é temida por gente como o presidente russo Vladimir Putin. Sua crença em uma Europa unida para evitar guerras e afins é um caminho que ela persegue com unhas e dentes. Isso não se via desde da união entre o líder alemão Konrad Adenauer e o presidente francês Charles De Gaulle. Mas os europeus confiam nesta nova forma de doutrina europeia formulada pela Alemanha? Está é europolitik de Merkel.

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