Como os amendoins explicam a Coreia do Sul

Quando você viaja em uma companhia aérea. O passageiro exige ser bem tratado. Mas na Coreia do Sul, o simples fato de servir amendoins em um saquinho gerou um amplo debate sobre o capitalismo local. Tudo aconteceu em um voo entre Seul e New York. A executiva Heather Cho humilhou uma comissária de bordo da Korean Air por servirem o petisco em saco invés de um prato.Ela foi presa por humilhar funcionários e as leis de segurança de voo. Agora o problema é esse: Cho Hyun-ah é filha do dono do grupo Hanjin, dona da Korean Air.

Cho Hyun-ah aparece chorando diante das câmeras e pedindo desculpas. Mas a grande questão é como os conglomerados familiares sul-coreanos são mal vistos pela população local. Conhecidos como Chaebol, tais companhias foram determinantes para o desenvolvimento do capitalismo sul-coreano. Mas depois de casos de casos como assassinatos feitos por funcionários que não aguentavam a pressão de seus superiores e a sensação de impunidade passada pela justiça local e o governo.

Tanto na ditadura militar dos anos 1960 até 1987 quanto na democracia dos tempos atuais. As chaebols como Samsung, Hyundai e a própria Korean Air são questionadas por causa dos herdeiros mimados emmeio de uma população que vive uma cultura rígida na questão social ou na gestão corporativa. Isso gera uma sensação de fraqueza em meio ao mundo ultra-competitivo que o país vive. Os casos de doenças mentais são vistos como vergonha além de gerar um mal-estar para os parentes do doente.

A presidente Park Geun-Hye tem adotado uma postura diferente. A prisão de uma executiva por infringir a lei de segurança de voo é um avanço ao mesmo tempo, uma reflexão sobre o modo que a economia e a sociedade sul-coreana vivem. O acidente da balsa que matou muitos estudantes no ano passado foi motivo de muitas criticas a mandatária e o resultado de uma investigação independente decepcionou os parentes das vítimas que ficaram acampadas perto do parlamento para pressionar o governo.

A sensação de que a liberdade de expressão vem diminuindo preocupa os artistas. Várias galerias de arte temiam sofrer retaliações por expor obras críticas ao governo. Este é um momento em que um país como a Coreia do Sul precisa rever seus conceitos. Apesar de ser um país avançado e com uma moderna infraestrutura e com empresas ultra-competitivas que faz frente aos concorrentes ocidentais. Essa reflexão foi feita apenas por um simples amendoim e destempero de uma herdeira.

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