O velho novo presidente Esebsi

Ontem, os tunisianos foram as urnas para escolher um novo presidente. O segundo turno presidencial entre o laico e político veterano Beji Caid Esebsi e o islamita moderado Moncef Marzouki foi acirrado. Mas Esebsi foi eleito com 55% dos votos contra 44% de Marzouki. Em seu pronunciamento antes da vitória ser confirmada hoje. Esebsi pediu que país se unisse e fez um pedido de apoio a Marzouki. O islamita não reconheceu a derrota porque o laico declarou vitória antes do resultado oficial ser divulgado pelo comissão eleitoral.

Mas como será a nova Tunísia do velho novo presidente Esebsi? Por mais que seu partido laico Nidaa Tounis tem uma maioria do parlamento. Ele terá que negociar com o islamita Ennahda na questões de leis da nova democracia tunisiana. O país conseguiu manter uma democracia mesmo com ceticismo do mundo ocidental que uma nação árabe poderia ser um território democrático. Esebsi já serviu como ministro nos gabinetes de líderes autocráticos como Habib Bourguiba e Zine el-Abedine Ben Ali.

A Tunísia foi o berço da primavera árabe. O The Wall Street Journal previu em 2011 que o país seria uma das poucas nações árabes a ser uma democracia como no mundo ocidental. O diário econômico americano estava certo dada ao fato de Iêmen e Egito vivem um conflito interno desde do fim dos regimes ditatoriais. Mas a Tunísia teve a sorte de ter uma população que acreditou no processo democrático como a única forma de por a nação africana nos trilhos em meio da instabilidade regional.

Esebsi terá que fazer um governo de união nacional. Tanto o laico Nidaa Tounis quanto o islamita Ennahda terão que fazer um pacto para que a democracia seja preservada. O Ennahda foi acusado de ser complacente com o extremismo de grupos radicais. Já o Nidaa Tounis foi criticado por ter figuras do velho regime como o novo presidente que já foi aliado de dois ditadores. A população deseja que tais partidos respeitem as regras do jogo para que a nação seja uma democracia que o povo tanto se orgulhe.

O presidente eleito terá que mostrar serviço nos próximos meses. A Tunísia tem sido um campo de treinamento para grupos terroristas no interior do país. Ainda por cima, existe um conflito entre a elite laica e a maioria muçulmana que marcou nos últimos três anos de processo democrático. Os partidos laicos e islamitas irão ter que negociar as leis no parlamento sobre égide de uma nova constituição feita na base de acordos entre ambas as partes. O velho novo presidente Esebsi terá um longo caminho pela frente.

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