A democracia autoritária turca

A Turquia vive tempos sombrios no quesito liberdade de expressão. A prisão de 24 jornalistas que trabalhavam no jornal Zaman e na tv Samanyolu. Ambos são conhecidos por sua linha editorial critica ao presidente Recep Tayyip Erdogan. Isso foi um grande choque para os turcos. A acusação de uma tentativa de golpe contra Erdogan foi usada para prender tais pessoas. Segundo o governo, tais orgãos de imprensa são ligados ao clérigo e opositor do presidente, Fetullah Gulen, que vive em um auto-exílio nos Estados Unidos.

Gulen é o fundador do movimento Himzet, que tem muitos membros que trabalham na polícia, judiciário, política e afins. Desde do início do duelo entre o clérigo e o presidente em 2013. A Turquia tem sido palco de prisões de jornalistas ou a detenção de membros do governo acusados de corrupção. Erdogan não tem alguém que lhe faça contraponto a sua política de mudar o país a sua maneira tanto com propostas como trocar o sistema parlamentarista para o presidencialismo via reforma constitucional patrocinada pelo seu partido AKP.

A população apoia Erdogan, mas sua forma arrogante de fazer política sem ouvir a oposição e encarcerar todo aquele que se opõe ao seu governo mostra a falta de tato de um político como o presidente turco. Ontem, ele criticou a reação da União Europeia, que pediu a libertação dos jornalistas. Mas o Erdogan respondeu que a UE deveria cuidar de suas coisas invés de criticar a Turquia. O país tenta ser membro da entidade desde de 2005, mas as tentativas fracassam nas reformas pífias adotadas pelo governo.

O duelo entre o clérigo e o presidente continua dando a tônica da política turca. Gulen é um sujeito recluso que dá poucas entrevistas (sendo a última para a rede de TV pública britânica BBC em 2013). As notícias que prejudicam o governo não são divulgadas por medo de represálias. Se algum jornal ou TV noticiar o custo da construção do suntuoso Palácio Branco, a nova sede da presidência turca. Isso pode servir como forma de punição por parte do governo. Tanto que o discurso do Papa Francisco em sua recente visita ao país quase foi censurado por Ancara.

Nos próximos dias, a pressão internacional e a esperança da população turca em exigir respostas sobre tais prisões pode mudar o curso da arrogância de Erdogan. O chefe de estado terá que explicar porque defende tais detenções sem ter provas que os jornalistas presos faziam parte de uma conspiração que visa derrubar o próprio presidente. Ele vai ter que usar a figura de Gulen para justificar as suas ações. Os turcos devem perder a paciência nesta briga entre o presidente e o clérigo que prejudica a democracia turca.

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