O cemitério de impérios

O Afeganistão é um país pequeno no meio do continente asiático. Mas a fama de cemitério de impérios continua forte. Depois da desastrada guerra contra o império britânico no século 19, a invasão da União Soviética em 1978 e a ocupação americana após os atentados de 11 de setembro de 2001. O território foi capaz de dobrar as potências ocidentais e orientais por ser uma região montanhosa e além de ter um povo que sabe repelir qualquer tentativa de controle de território por uma força militar estrangeira.

No final desse ano, a Otan (aliança militar ocidental) vai retirar as suas últimas tropas do país. Mas a prolongada disputa política, tribal, étnica e religiosa irá continuar com um fraco governo central sediado na capital Cabul e os militantes do grupo terrorista Taliban que tem o desejo de comandar o país sob a égide de um regime autoritário que deturpa o pensamento islâmico depois de sua derrota militar em outubro de 2001 quando a Aliança do Norte foi capaz de conduzir uma operação militar sem precedentes com ajuda ocidental.

O novo presidente Ashraf Ghani e o seu primeiro-ministro Abdullah Abdullah vão ter que organizar a vida do país pós-ocupação militar americana. Após uma eleição presidencial que dividiu o país meses atrás. Este governo de união nacional é a única esperança dos afegãos de lutarem contra o Taliban. O pacto de segurança assinado com a Otan vai permitir um treinamento das forças militares afegãs. Isso pode ser a luz do fim do túnel ou o início de mais um trauma na história das relações ocidente-Afeganistão.

A invasão ao Afeganistão trouxe traumas e cicatrizes para os países ocidentais. O termo “Guerra ao Terror” criado pelo então presidente americano George W. Bush virou uma frase sem significado e com sérios efeitos colaterais para o planeta. Os atentados de Madri (2004) e Londres (2005) foram um sinal evidente de uma política de caça aos terroristas via tortura ou ocupação militar estrangeira não resolve os problemas de segurança interna de nações tanto pobres quanto ricas.

O trágico destino do Afeganistão como um cemitério militar de impérios e potências continua sendo forte. Os enterros de soldados que lá morreram sem poder ver suas famílias ou retornar para a casa depois de enfrentar o inferno na terra é uma das trágicas formas de exemplificar o apelido que os afegãos conquistaram durante as lutas que país enfrentou ao longo dos anos. A população quer paz e um estado forte. Ghani e Abdullah vão ter um longo trabalho pela frente para curar este trauma.

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