Bhopal

Certas palavras entram na história por fazer referência a uma tragédia. Isso aconteceu em 3 de dezembro de 1984. A cidade indiana de Bhopal foi palco de um dos piores acidentes industriais da história. Quando um tanque da fábrica de pesticidas da Union Carbide teve a sua valvula quebrada, espalhando um gás letal por toda a cidade. Isso causou a morte de mais de 8.000 pessoas em cenário de caos e desespero. As vítimas estavam com os olhos ardendo, queimação dos pulmões e espuma na boca.

O gás em questão é o isocianato de metila. A fábrica ficava em meio de um conjunto de comunidades. Bhopal tinha mais de 900 mil habitantes. A população não tinha a consciência dos riscos que corria ao viver perto da fábrica da Union Carbide.  Eles queriam apenas um local para morar. A Índia vivia os traumas do assassinato da primeira-ministra Indira Gandhi por um de seus guardas-costas. A tragédia de Bhopal mostrava que os indianos estavam sendo vítimas do annus horribilis de 1984.

A população estava desesperada por ajuda. Tanto que os hospitais estavam superlotados e os médicos incapazes de entender o que estava acontecendo em meio da tragédia. É como se fosse uma cenas do livro A Peste, do escritor francês Albert Camus, mas como o desespero do mundo real onde as famílias queriam entender como seus entes queridos estavam cegos, vomitavam pelos cantos, sofria uma queimação em seus fracos pulmões por inalar um gás tão letal como o isocianato de metila.

O mundo acordou se perguntando como uma cena tanto caos ocorreu naquele país longínquo e imenso. Os relatos de jornais, revistas, rádios e TVs relatavam o desespero de uma população que apenas dormia quando um gás vazou causando uma nuvem negra de mortes, preconceitos e descrença nas instituições. A sensação de impunidade era evidente em Bhopal, quem seria o culpado por uma tragédia onde famílias perderam seus entes queridos para um elemento invisível.

Passados 30 anos após a tragédia, Bhopal ainda se pergunta quem é o culpado por isso. Em 1991, o caso foi julgado pela justiça, mas nenhuma pessoa foi responsabilizada. O governo indiano pedia uma indenização de 3,3 bilhões de dólares, mas aceitou um pagamento de 470 milhões. O terreno onde ficava a fábrica está contaminado por gerações. Os sobreviventes vivem a sequelas de tal fato com o nascimento de bebês com problemas genéticos causado pela inalação de um gás tão letal. A sensação de que a justiça não foi feita permanece em Bhopal.

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