Netanyahu e sua intransigência

Os regimes parlamentaristas permitem que um governo fique um dia ou 18 anos no poder dependendo da coalizão formada pelos partidos. Hoje, Israel viu a notícia de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou a antecipação das eleições gerais em dois anos dado o fato de dois ministros centristas, Tzipi Livni (Justiça) e Yair Lapid (Finanças) foram demitidos por discordar das políticas adotadas pelo premiê como a lei que declara Israel como estado judeu. Assim quebrando o principio de igualdade entre os povos que fazem parte da nação israelense.

Netanyahu decidiu dissolver o Knesset (o parlamento israelense) por sentir que sua frágil coalizão de governo não teria força para aprovar uma lei tão controversa. As divergências na condução da política para os palestinos tem sido motivo para que a coalizão fosse desfeita. Um dos ministros mais controversos de Netanyahu, Avignor Lieberman, defendeu o juramento de lealdade ao estado israelense para aqueles que não são judeus. Isso provocou a ira dos moderados e da comunidade internacional.

O fato de muitos israelenses terem sido atacados por palestinos em Jerusálem Oriental nas últimas semanas causa preocupação para o Netanyahu. O muro que foi construído na Cisjordânia dava uma sensação de tranquilidade para os israelenses. Mas a recente revolta palestina provoca o sentimento de insegurança que foi esquecida pela população desde da construção do mesmo em 2002. O temor de novos ataques reforça o clima de crise política no gabinete de Netanyahu.

Netanyahu pode adotar um tom moderado enquanto os centristas adotam um discurso conciliador. A defesa do princípio da igualdade entre judeus e os povos não-judeus é uma batalha onde o radicalismo não pode ser visto como algo favorável. O premiê pretende formar uma coalizão com os partidos religiosos de tendência ultra-ortodoxa, que ganha força desde da eleição de janeiro de 2013. A intenção de radicalizar em uma fala para agradar partes do eleitorado é muito perigoso neste momento.

Com a dissolução do Knesset nessa sexta-feira. As eleições podem ser convocadas para março de 2015. O prazo de três meses de campanha política serão decisivos para o futuro de Netanyahu. Com a pressão internacional para reconhecer o Estado Palestino tem provocado uma reação de encorajamento entre os palestinos. Israel quer se manter como uma democracia avançada e mantendo o princípio da igualdade que tanto lhe fortaleceu em seus mais de 60 anos de história. Só falta Netanyahu reconhecer isso.

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