O retorno de Vázquez

Ontem, o Uruguai foi as urnas para o segundo turno das eleições presidenciais. O candidato da coalizão de centro-esquerda Frente Ampla, o ex-presidente Tabaré Vázquez foi eleito para um segundo mandato. Ele derrotou o oposicionista Luiz Lacalle Pou por 52% contra 42% por cento respectivamente. Os uruguaios foram criteriosos na reeleição de Vázquez dado o fato do atual mandatário, José Mujica, ter sido um político popular por seu jeito simples e por suas políticas controversas como a autorização do comercio da maconha.

Vázquez encontra um país que vive uma crise de segurança, apesar de ter feito reformas na economia durante o seu mandato presidencial. Ele prometeu anunciar um pacote de medidas na área social quando tomar posse do cargo em março de 2015. No congresso, a Frente Ampla defende uma lei para regular a mídia. Isto foi alvo de críticas da imprensa independente e da oposição. Mujica tenta pacificar a sociedade dizendo que a proposta não vai censurar os conteúdos produzidos pelas mesmas.

Os uruguaios aprovam a gestão Mujica com uma taxa de popularidade de 65% enquanto desaprovam suas políticas como a comercialização da maconha. Vázquez prometeu manter as políticas de Mujica. Mas fez um aceno de um governo de união nacional com a oposição. Isso pode lhe permitir adotar medidas conciliatórias para uma sociedade que deseja a coalizão de centro-esquerda Frente Ampla não tome os rumos de outros governos de esquerda como a Argentina e a Venezuela.

Mujica vai voltar ao senado uruguaio. Podemos dizer que a história pode afirmar que o Uruguai teve um presidente tão popular quão controverso. Ele defender propostas tão avançadas para uma sociedade que tem a fama de ser liberal como a uruguaia foi uma ousadia nunca antes feita por um presidente. A legalização do comércio da maconha pode ter tornado um pacato cidadão de vida simples e um estandarte do liberalismo social mesmo com tantos efeitos colaterais como o aumento da violência.

O retorno da Tabaré Vázquez a presidência do Uruguai mostra como a população tem uma boa memória afetiva de um ex-presidente que tem uma taxa de 70% de aprovação. Mas ele terá que encarar os desafios como a violência e a desigualdade social. Isso irá exigir uma vasta habilidade política e conciliação com a oposição e o congresso. Os uruguaios  desejam que Vázquez faça um bom governo. Mas sempre respeitando as leis e a liberdade que o país tanto lutou desde da redemocratização.

PS: Ás 22 horas, o Homo Causticus publicará um texto sobre a despedida do ex-premiê britânico Gordon Brown.

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