A falha do Abenomics

Quando uma economia vai mal. O mercado exige mudanças na política econômica. Mas no Japão, o primeiro-ministro Shinzo Abe decidiu agir de uma outra forma. Ele anunciou eleições antecipadas para dezembro. Dado o fato de que a oposição está rachada e o país asiático está em recessão técnica (quando se tem crescimento negativo do PIB por dois trimestres consecutivos). Abe pode ganhar a votação, mas terá que ser honesto com a nova doutrina monetária que irá adotar.

O Abenomics se baseia no investimento interno via um programa de estímulo econômico além do controle monetário e da inflação. As medidas econômicas deram certo em 2013 e isso rendeu ganhos políticos como a maioria na câmara baixa e da câmara alta do parlamento japonês. Feito inédito para um primeiro-ministro em início de mandato. A economia japonesa cresceu de forma robusta e com uma estabilidade nos preços que prejudicava qualquer reação de Tóquio.

Mas a política econômica de Abe começou mostrar fadiga e o Japão está em recessão. A antecipação das eleições gerais mostra que o primeiro-ministro quer evitar uma eventual pressão do partido liberal-democrático como lhe aconteceu em 2006 após uma onda de demissões de ministros por escândalos de corrupção. Tal movimentação surpreendeu os vizinhos como a China, que tem uma certa rusga com o líder japonês por causa da disputa de ilhas inabitadas no mar da China.

Desde da saída do ex-premiê Junishiro Koizumi, o Japão teve 6 primeiro-ministros diferentes (Abe, Yasio Fukuda, Taro Aso, Yukio Hatoyama, Naoto Kan e Yoshihiko Noda). Isto se deve a má situação da economia local. Os japoneses se lembram da decada perdida nos anos 1990, onde a situação econômica era vulnerável além de ter uma ampla queda de preços ( a temida deflação), mas que impedia um ganho real na renda dos trabalhadores nipônicos com alto custo de vida.

O parlamento japonês será dissolvido na próxima sexta-feira e as eleições irão ocorrer no meio de dezembro. A perspectiva de uma nova vitória de Abe pode lhe permitir um voto de confiança e conduzir as reformas necessárias na economia japonesa. Ele terá que aumentar os impostos. A medida tem sido adiada por muito tempo, mas se provou ser de vital importância para o governo. O Abenomics pode ter uma ampla revisão doutrinária para recuperar de suas falhas.

 

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