Made in France

Ontem, fui ver o 7 Jours En France, do canal de notícias francês France 24. O ponto central do programa foi a fabricação de produtos franceses no território gaulês. Muitas mercadorias como roupas e carros estão sendo fabricados tanto em países do leste europeu quanto na China por causa da mão de obra barata. O expoente deste novo momento de nacionalismo econômico é o ex-ministro da economia e indústria, Arnaud Montebourg e foi motivo do documentário Made In France, protagonizado pelo político socialista e dirigido por Benjamin Carle.

O questionamento sobre a desindustrialização francesa tem sido feito desde dos tempos do ex-presidente François Mittiterrand. Ele estatizou os bancos logo no inicio de seu governo em 1981 para aquecer a economia local. Mas tal medida teve efeitos colaterais e foi feita logo que começou a onda monetarista protagonizada pela primeira-ministra britânica Margaret Thatcher com suas privatizações e reformas pró-mercado. Isso estagnou a modo de produção francês.

Fatores como subsídios agrícolas e a jornada de trabalho de 35 horas semanais espantou os investidores por ter um alto custo trabalhista e não permitir o investimento necessário. A concorrência com países europeus que fizeram reformas econômicas como Reino Unido e Alemanha fora a competição com os tigres asiáticos (Indonésia, Cingapura e Coréia do Sul) expõe a fragilidade da França no campo econômico dado o fato do estado ter um grande aparato de bem-estar social.

Um país que tem montadoras como Peugeot, Citroën e Renault não consegue emplacar seus carros no mercado mundial como as concorrentes alemãs, japonesas e chinesas. Por mais que o discurso nacionalista de Montebourg de consumir o produto francês como forma de resistência a globalização. Tais palavras caem por terra porque a economia tem um baixo crescimento econômico nos últimos anos além de resistir em fazer reformas trabalhistas para diminuir o custo de produção.

A França quer crescer por meio da expansão dos gastos públicos, mesmo que o governo tenha um enorme deficit fiscal. O desemprego alto também assusta o primeiro-ministro Manuel Valls. Os partidos de direita como UMP e Front National tem propostas pouco usuais para enfrentar o problema do baixo crescimento do país. A necessidade de reformas econômicas não pode ser ignorada por políticos e sindicalistas. Mas eles preferem ver o documentário protagonizado por Montebourg do que resolver isso.

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