A desconfiança em Ed Miliband

Na tradição britânica, os domingos são sagrados pela espera dos jornais dominicais ou Sunday papers. Domingo passado, os periódicos como The Observer, The Sunday Times e Mail on Sunday afirmavam uma crise política dentro do partido trabalhista. Algumas fontes de tais folhetins afirmaram que haveria um leadership challenge ou uma mudança na liderança da entidade. Muitos militantes estavam descontentes com os rumos tomados pelo MP e líder dos mesmos, Ed Miliband.

Ed é considerado por sua visceral visão estatista. Tanto que seu apelido é Red Ed. Ele conseguiu o apoio dos sindicatos quando derrotou o seu irmão, David, na conferência de 2010. Em 2011, adotou uma visão conciliadora com o jingle One Nation, One Labour. Parecia que os trabalhistas iriam voltar ao poder. Mas com a recuperação econômica do Reino Unido desde 2012. O cenário é incerto. Em 2013, Miliband falou da crise do custo de vida e prometeu congelar as contas de energia por dois anos.

Desde de então, adotou um tom mais agressivo contra o capital e o governo do primeiro-ministro conservador David Cameron. A adoção de uma política de estatizações no setor ferroviário além de reforçar os investimentos no sistema de saúde pública, o NHS, tem surtido pouco efeito nas pesquisas. Tanto que pesquisas de opinião reforçam a tese que Miliband não serve para o cargo de premiê. A desconfiança é geral em várias setores da sociedade como negócios e a população local.

Miliband tem investido suas falas no NHS e críticas contra a decisão do governo de coalizão entre conservadores e liberais-democratas de realizar um referendo sobre um novo acordo de associação entre Reino Unido e União Europeia. Tanto que em uma palestra na Universidade de Londres. Ele criticou os interesses escusos que tem a intenção de tirar ele na liderança dos trabalhistas. Uma mudança tão radical há poucos meses das eleições gerais é um grande risco.

Neste momento, os trabalhistas estão confiantes em uma vitória. Mas tem consciência de que o próximo parlamento pode ser mais um hung parliament (onde os partidos não tem maioria suficiente para governar o país). O combate eleitoral pode ser uma guerra de retórica sem precedentes na história britânica. O partido nacionalista UKIP ganha força para incomodar Westminster. Vamos esperar os próximos Sunday Papers com mais uma rodada de notícias querendo a cabeça de impopular Ed Miliband.

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