O recado da Catalunha

Ontem, a Catalunha foi as urnas para escolher se continuaria sob o domínio espanhol ou pediriam a independência de Madrid. Com mais de 2 milhões de eleitores indo aos centros de votação dos 5 milhões aptos a votar. O resultado foi que 80% da população queria a independência da região autônoma espanhola. O referendo considerado ilegal pelo governo central, mas a vitória dos nacionalistas catalães não pode ser ignorada pelo primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy.

A votação foi de grande importância que até o técnico do clube alemão Bayern de Munique, Pep Guardiola foi votar em Barcelona. O presidente da Catalunha, o nacionalista Artur Mas considerou o resultado importante para um eventual referendo de comum acordo com Madrid. Enquanto os conservadores criticaram a votação. O novo líder da oposição, o socialista Pedro Sanchez, adotou um tom moderado ao afirmar que o dia 10 de novembro é um novo marco na história espanhola por redefinir os termos do federalismo.

Um resultado de mais de 80% dos votos não pode ser ignorado. Os catalães querem o mínimo de intervenção do governo central em suas vidas. A população local teve sua língua censurada pela ditadura do general Francisco Franco por 39 anos. Com a redemocratização do país em 1977 sob o comando do rei Juan Carlos. A região começou sentir os ventos da liberdade e conquistar a autonomia no referendo de 2006 durante o mandato do premiê socialista José Luiz Rodrigues Zapatero.

A Catalunha quer a independência porque sempre foi contra a política de austeridade implantada por Rajoy. A região é rica e a mais industrializada da Espanha. Os catalães querem ter o direito de decidir o seu futuro econômico e não sustentar um país estagnado e decadente como o atual momento espanhol. Este sentimento de rejeição e ao mesmo tempo independência é claro nos discursos dos nacionalistas, que gozam uma grande popularidade no território.

Rajoy quer manter a Espanha unida por temer uma derrota nas eleições gerais de 2015. Pedro Sanchez é um líder jovem e pode capitalizar o sentimento de uma população que sente revoltada com as políticas econômicas de Madrid. O recado da Catalunha foi alto e claro. Isto não pode ser ignorado. A discussão sobre o federalismo espanhol foi aberta para que os partidos defenda uma Espanha forte. Mas não pode negar o anseio da emancipação catalã.

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