O dia em que o muro caiu

Em certos momentos da história da humanidade. A ruptura é simbolizada pela queda de alguma coisa que representava um passado temido e desconhecido. Em 9 de novembro de 1989, o porta-voz do partido comunista da Alemanha Oriental, Günter Schabowski anunciou que a lei de imigração iria ser revista e todo alemão-oriental poderia cruzar as fronteiras livremente. Este foi o prenúncio da derrubada de um simbolismo do autoritarismo, o Muro de Berlim.

O muro foi construído em 13 de agosto de 1961 como uma forma de conter a forte imigração de alemães-orientais para o lado ocidental de Berlim. O que seria um monumento ao autoritarismo se transformou em um estigma da falta de liberdades e de uma população frustrada por não ter um futuro em um estado comunista que era mantido a mão de ferro por uma polícia secreta como a Stasi; com seus informantes em qualquer parte da Alemanha Oriental.

Mas o desejo dos alemães tanto ocidentais quanto orientais era ter um país unificado. Os discursos de presidentes americanos como John Kennedy (1963) e Ronald Reagan (1987) entraram na imaginação coletiva de um mundo fascinado com a liberdade de Berlim Ocidental mostrada no filme Asas do Desejo, de Win Wenders e ao mesmo tempo, aterrorizado com o autoritarismo de um estado comunista que apenas sobrevivia as custas da desconfiança e medo de um povo.

As 19 horas do dia 9 de novembro de 1989, uma quinta-feira fria de outono. O mundo ficou surpreso com o anúncio de Schabowski e as cenas de um simbolo de terror foi destruído como uma força impressionante de um povo que perdeu o medo. Os pontos fronteiriços como Checkpoint Charlie e Bornholmer Strasse ficaram entupidos de pessoas que queriam sair do mundo sombrio para ir a um ponto iluminado e desconhecido que antes era visto pela TV.

As cenas de pessoas quebrando partes do muro como um sinal de exorcizar os fantasmas autoritários era o sinal que o mundo mudou rapidamente debaixo de nossos pés. A queda do Muro de Berlim era o sinal claro que o mundo maniqueista havia perdido espaço diante dos anseios de um população que apenas queria ver o outro lado e assim iniciar o processo de unificação para vermos uma Alemanha unificada que nunca esqueceu aquele 9 de novembro de 1989.

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Um comentário sobre “O dia em que o muro caiu

  1. César, gostaria de fazer alguns apontamentos importantes com relação ao seu texto. O primeiro deles é de que as conferencias como as de yalta, Potstam e Teerã nas quais decidiam-se os destinos dos países libertados a enormes custos humanos, custos estes pagos sobretudo pela URSS, tinham em suas atas o parecer soviético de que a Alemanha livre teria em um prazo de 2 anos, intercalados por um governo provisório, eleições livres e decidiriam seu próprio destino. A ocupação ocidental foi quem optou pelo modelo de divisão, devido as importantes vitorias comunistas nas urnas da Itália, Tchecoslováquia e França. O medo de uma Alemanha socialista mudou inclusive os planos de um projeto de reconstrução Europeu, para um projeto de curral nos quais apenas os que se comprometessem a permanecer sob o guarda-chuva do mercado Americano estariam aptos a receber os bilhões do plano Marshal. A URSS, no entanto, passando por um pesado processo interno de reconstrução, teve de estruturar seu próprio modelo de auxilio a países que também deviam se reconstruir, entre eles a Alemanha do leste, cujo partido comunista já tinha vitória anunciada desde antes da acensão nazista, interrompida por divisões históricas no próprio partido. Os ataques do ocidente ao novo modelo vieram a partir de então na atração das mentes mais relevantes da Alemanha a peso de ouro, por meio de seu posto avançado europeu. A resposta para isso, foi e só poderia ser a divisão, divisão esta que não era vontade nem do leste, nem do oeste, mas foi sim a vontade de alguém do outro lado do atlantico. Dizer que a Alemanha Oriental sobrevivia do medo, é desinformação. A alemanha oriental foi um dos países mais bem desenvolvidos do bloco socialista. Na verdade seu desenvolvimento foi tão relevante , que acelerou o processo de criação de políticas como a do welfare Estate, já que fortalecia as posições dos grupos de esquerda em todo mundo. A produtividade Ocidental era maior, mas o objetivo da economia socialista não é o consumo em massa. A Alemanha Oriental caiu, dentro de um contexto muito mais amplo do que a ideia romântica de liberdade. No final dos anos 80, a Stasi jã não operava como operava antes, as regras de migração ja haviam mudado. Por mais que seja absolutamente indesejável a permanência de nações divididas, a queda do muro de berlin, sinalizou também a condenação de muitos movimentos sociais, o conformismo generalizado com um sistema que beneficia somente parte da população e em suas regiões nucleares, sinalizou o desmantelamento do estado de bem estar social e o neoliberalismo trágico, cuja reação inevitável se vê na ultima década com o fortalecimento da esquerda as américas e o fortalecimento da direita em várias regiões da europa, resultados óbvios da terceira grande crise capitalista, a maior desde a crise do petróleo em 70, prova disso está no rosto dos britânicos a festejar a morte de Tacher, a mulher que elogiou Pinochet por ter ” salvado a democracia chilena”. Além disso, não vi nada no seu texto sobre os verdadeiros ” muros do medo”, como aquele sustentando por Washington na faixa de Gaza, onde um estado verdadeiramente terrorista opera a olhos vistos contra civis, ou aquele que divide Mexico e Estados Unidos. O momento de festa está reservado ao povo alemão, que pode reunir sua cidade, seu país, sua cultura, suas famílias. Mas esse momento não pode ( como já se tornou) se tornar um ” panegírico” dos vencedores. Deve-se, sim, meditar sobre este dia, mas sobre novos aspectos. Onde estão os muros de hoje? quem e o que eles dividem? o que forçou o levantamento do muro em berlin? quantos muros a queda do de berlin ajudou a erigir pelo mundo?.
    Falta critica, falta reflexão, falta conhecimento histórico e falta parcialidade ao seu texto.

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