O dilema de Draghi

Quando você é presidente de uma entidade financeira como um banco central. Tal diretor sofre as pressões políticas e econômicas. Este é o caso do chefe do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. Hoje, ele anunciou que tal entidade vai adotar programas de estímulo a economia como o Quantitative Easing e compra de títulos públicos como forma de tirar a Eurozona da combinação de crescimento fraco e uma deflação mortal para a recuperação do continente.

A grande questão é que os países da eurozona tem adotado uma política de austeridade como o corte de gastos e reformas fiscais como a redução da previdência e dos benefícios. Estas medidas foram implementadas a mando da Alemanha da chanceler Angela Merkel duranta a crise fiscal de 2010. Muitos países passaram por grandes dificuldades como Portugal, Espanha, Grécia, Itália e Irlanda para arrumar a casa após anos de bonança e farra.

Draghi quer estimular o crescimento com as contas públicas em ordem. As medidas anunciadas pelo BCE nesta quinta-feira mostra uma determinação para que as economias possam se recuperar do estrago da crise de 2010 e afirmar que a Europa pode crescer com a casa em ordem. Isso tem de ser feito de forma delicada para convencer os alemães sobre a necessidade de um programa de gastos que permita o velho continente a crescer.

Merkel precisa lidar com as insatisfações de países-membros como o Reino Unido, que tem um crescimento acima da média europeia por ter adotado medidas de austeridade para conter o deficit fiscal que foi criado com a crise econômica de 2008. Tanto que já admite a saída do território britânico da União Europeia. Draghi mostra com o pacote de estímulo econômico que pode reverter um cenário adverso para um continente fragilizado como a Europa.

O presidente do ECB pode baixar ou aumentar os juros como forma de permitir o crescimento com uma inflação controlada. O QE pode ser uma arma de fundamental importância para os próximos meses. Ele terá que ser hábil para convencer a eurozona que medidas de estímulo econômico são fundamentais mesmo com a teimosia alemã. Mas o pragmatismo de Angela Merkel pode colocar a Europa no rumo certo. O dilema de Draghi entre o risco inflacionário e o endividamento do continente é nítido e difícil de resolver

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