A primavera de Uagadugu

Ontem, este que vos escreve publicou um texto sobre a crise política de Burkina Faso. Hoje, o país iniciou sua era democrática com a renúncia do presidente Blaise Compaoré. Nunca uma nação africana viu uma revolta popular que conseguisse o objetivo de derrubar um ditador que sempre prolongou o seu tempo no poder. O chefe das forças armadas, general Honoré Traoré assumiu o cargo de chefe de estado e prometeu eleições no prazo de 90 dias.

Será que a África pode ter uma onda de derrubada de ditadores como se fosse a primavera africana. As comemorações da população na capital Uagadugu são o sinal de que as mudanças que tanto lutam possa ser efetivas. Os temores de que a revolução pode ser sequestrada ou o fato de Traoré ser muito próximo de Compaoré são nítidos. Mas ver as cenas de uma queda de um ditador é uma pura dose de diversão para aqueles que acreditam na democracia como este que vos posta.

Mas consolidar uma reforma democrática em um país pobre como Burkina Faso não será fácil. O país é uma ex-colônia francesa além de ser sede de bases militares tanto americanas quanto da ex-metrópole colonial. Traoré terá que ser uma ponte entre a cruel realidade e os sonhos de um país melhor. Isso vai levar tempo e amplas negociações com todos os grupos políticos locais para que uma transição pactuada possa ser feita de modo pacífico.

Mas qual é a lição que fica para as nações africanas? Por mais que o continente seja rico em recursos minerais como petróleo, diamantes, ouro e afins. A África vive os seus piores momentos de conflitos internos como a luta da Nigéria contra o grupo terrorista Boko Haram e a ascensão de milicias em países como República Centro-Africana e Mali. Isto exige a intervenção de ex-metrópoles como França e operações militares comandadas pela ONU.

A África vive um momento especial, onde o simples fato da população ir a luta por seus direitos causa calafrios. Tanto que o presidente congolês Joseph Kabila está pensando em rever a sua ideia de disputar para um terceiro mandato. O fantasma do fim dos ditadores que se perpetuam no poder pelo fato de serem aliados confiáveis ao ocidente ou da China e sua voracidade por recursos minerais mostra que a primavera de Uagadugu é apenas o inicio de uma mudança no panorama africano.

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